Dívida do governo Hélio Zanatta (PSD) cresce 400% em dois anos e expectativa da prefeitura com arrecadação do IPTU para 2026 tem alta superior a 20%; choramingo de Finanças morre no cálculo do peso do tributo aos 9% frente à receita geral de Piracicaba


Dois pontos sobre o caixa de 2026 do governo Hélio Zanatta (PSD) chamaram a atenção com o balanço das contas públicas apresentado pela Secretaria de Finanças nesta semana em audiência pública na Câmara de Vereadores. O primeiro o de checar sobre a expectativa da Prefeitura de Piracicaba quanto à variação do imposto, e o resultado é uma alta de 22,21% com o IPTU no comparativo entre 2025 e 2026 – doendo no bolso do contribuinte, mas nada mais que 'um pinscher' no bolo geral da receita da prefeitura. O segundo é quanto ao crescimento astronômico de 400,78% no passivo financeiro dentro do mesmo período comparativo – ativo é quem deve e passivo é o devedor. Em bordões, 'tá tudo junto e misturado' e 'vamos por partes'.

O passivo de Hélio e o boi de piranha do IPTU

Conforme o relatório da prefeitura exibido na audiência sobre metas fiscais nesta terça, dia 26, para o período de janeiro a abril de 2026, o passivo do governo municipal bateu na casa dos R$ 221,30 milhões – no mesmo período de 2025 esta soma foi fechada em R$ 44,19 milhões.

O vereador André Bandeira (PSDB), referência na Casa de Leis quanto ao seu conhecimento em orçamento público, fez uma explicação didática sobre o tal passivo: “tudo que, de alguma forma, a prefeitura contratou, foi prestado o serviço e só falta finalizar o pagamento”. Na sequência, o parlamentar emendou a pergunta para entender a origem do tamanho da monta  sobre quais são os maiores empenhos e prazos de pagamentos da prefeitura. A secretária de Finanças, Karla Lovato Pelizzaro, ‘sabonetou’ e não deixou nada claro como também não respondeu aos questionamentos de Bandeira para jogar tudo no colo do IPTU, como um boi de piranha.

“A disponibilidade negativa [se deve] a bastante obras em andamento de grande importância na saúde e na educação, mas temos também em cidadania, esporte, cultura. Estamos tentando fazer um belo trabalho de revitalização e de arrumar toda a estrutura, tentando investir. Outra coisa que está dando impacto no déficit é a liminar que acabou suspendendo o IPTU, com queda significativa na arrecadação. Sem contar que tivemos despesas. Tudo isso impactou de formar negativo no município. E, por isso, a gente trabalha com responsabilidade e o prefeito continua arduamente nas obras cobrando e fazendo dentro dos limites. Esperamos, com [a retomada] da arrecadação do IPTU, superar essas despesas e, conforme forem executadas, não ter problemas com pagamentos.”

Os números do IPTU & choramingo

O governo de ‘Helinho’ estima colocar em caixa R$ 238,79 milhões até o fim de 2026 com a cobrança do tributo – a cifra consta do Balancete da Receita referente a março publicado no Diário Oficial do Município (DOM) em 17 de abril. O primeiro ano da gestão de Zanatta arrecadou R$ 195,38 milhões com o IPTU e, no comparativo entre os dois últimos períodos, o resultado é uma aguardada entrada maior em R$ 43,40 milhões (+22,21%) após o novo Código Tributário, aprovado pelo Legislativo ao apagar das luzes de 2025, com frequente defesa de justiça social e ampla redução do imposto – mas sem transparência no cálculo.

Outro ponto relevante sobre o IPTU – que teve sua cobrança paralisada pela Justiça em abril – é o tamanho diminuto de 9,06% do peso do tributo frente ao total de receitas previstas para o primeiro quadrimestre pelas Finanças de ‘Helinho’, refletindo um parâmetro para o ano. Assim, a alegação da secretária de Finanças sobre os maus resultados da sua Pasta cai por terra diante deste cálculo e não passa de um choramingo.


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Erramos: na edição ao assinante, o cálculo da dívida saiu errado em 800% quando, na verdade, são 400%. E o IPTU é cobrado tradicionalmente em abril, não em maio.

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