Arte da Florespi (Associação de Recuperação Florestal) elenca motivos para plantio de árvores
O incremento da arborização urbana via Prefeitura de Piracicaba caiu pela metade no comparativo entre 2023 e 2025 – há uma lacuna de dados públicos na transparência sobre 2024. A queda entre os períodos foi de 49,86%, de 40.734 para 20.422 plantios de árvores. Na garimpagem dos dados, dois alertas estão acesos: nenhuma região do município atinge a taxa ideal de cobertura arbórea urbana calculada pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), entre 30% a 40% do território. Outro ponto é o encerramento em 2023 da transparência pública sobre a evolução do plantio na cidade, uma série histórica iniciada em 2005. O contexto mostra haver muito pouco a se comemorar por aqui neste próximo dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Conforme o Plano Municipal de Arborização Urbana de Piracicaba - 2020, a melhor taxa de cobertura arbórea em relação à área por região foi verificada para a parte Leste, aos 26,42%. Os principais bairros nesta região incluem Piracicamirim, Vila Independência, Vila Monteiro, Morumbi, Pompéia, Cecap, Água Branca, Monte Alegre, Conceição e Dois Córregos. A pior situação, com uma taxa de 18,87%, é da região Sul (Paulista, Paulicéia, Vila São Luiz, Vila Conceição).
Quanto à divisão por bairros, só 10 de 70 estão no recomendado pela SBAU – veja todas regiões e ranque por bairros nos quadros abaixo. E, seguindo o ritmo lento de plantio, o cenário diagnosticado há seis anos tem baixa propensão de alguma mudança relevante (leia mais a seguir, em ‘Fim da transparência’).
Fim da transparência
A série histórica do plantio de árvores feito pelo governo municipal (veja gráficos abaixo) mostra um pico de 54.298 plantios nas áreas públicas em 2014. O último dado, de 2025, disponibilizado pela gestão Hélio Zanatta (PSD) fora da planilha e em formato de notícia, mostra que este número caiu para 2.223 plantios – uma queda de 95,90%. No comparativo com 2023, quando as áreas públicas receberam 12.704 mudas, o recuo é menor, mas ainda persiste em 82,50%.
A reportagem questionou a prefeitura de ‘Helinho’ sobre a planilha da série histórica disponibilizada em site da administração pública, mas nenhum esclarecimento foi prestado. A situação foi reportada ao Ministério Público, tanto à Procuradoria de Justiça Cível como ao Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente).
A vereadora Silvia Morales, presidenta de audiência recente sobre arborização realizada na semana passada, dia 26, na Câmara Municipal, informou que pretende questionar a prefeitura sobre o fim da transparência sobre os dados públicos dos plantios. Também vale anotar que, logo no início de seu mandato, em 2025, o atual prefeito extinguiu a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a antiga Sedema, vinculando a temática sob o guarda-chuva da Pasta de Agricultura. Atualmente, quem cuida de arborização é a Secretaria de Obras.
Irregularidades & contradições
Podas e supressões aleatórias, realizadas pela prefeitura ou CPFL, são foco das críticas tanto da vereadora Silvia Morales como da sociedade organizada em prol do meio ambiente. “As podas e supressões, de um modo geral, são feitas de maneira irregular. Para as supressões são pedidos laudos, mas, por vezes, não há estes documentos mesmo via requerimento. Outro dia, eu fui pessoalmente em uma supressão na avenida Dr. Paulo de Moraes e a equipe não tinha laudo. As supressões das terceirizadas da prefeitura e da CPFL prejudicam sobremaneira as árvores, ações feitas erroneamente e sem critérios”, destacou a parlamentar para a reportagem.
Durante a audiência sobre arborização urbana, Eloah Margoni, representante da Sociedade para Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba (Sodemap), questionou sobre as podas realizadas pela CPFL e perguntou por que a cidade ainda não adotou fiação subterrânea.
Representando CPFL, o coordenador de operações de subtransmissão, Fernando César Pepe, disse que as podas são realizadas por razões de segurança elétrica e prevenção de acidentes. “A CPFL, pelo contrato de concessão, tem autorização para tirar o risco para as pessoas que estão transitando em volta da infraestrutura. Então, a CPFL não faz uma poda ornamental, mas uma poda para livrar o risco de vida e manter o sistema elétrico funcionando.”
Quanto à fiação enterrada, a alegação de Pepe foi a de que “a implantação de redes subterrâneas exige intervenções profundas no solo, podendo comprometer raízes e a estabilidade das árvores”. Em 2023, em uma outra audiência na Câmara, a alegação foi outra: a de um investimento proibitivo, devido ao valor, vetado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Como melhorar?
Ainda durante a audiência do fim de maio deste ano, o pesquisador Bruno Fernandes, representante do Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), defendeu que Piracicaba integre urbanismo e ecologia. “A logística da cidade não pode ser descolada da construção de ecossistemas. Precisamos pensar a biodiversidade junto com a mobilidade e a infraestrutura”, afirmou, para em seguida questionar como são feitas as podas e se há acompanhamento técnico especializado.
Já a vereadora Silvia, presidenta da audiência, destacou a necessidade de ampliação das áreas de plantio de árvores e a aprovação de projeto de lei, de sua autoria, que lança as bases para “infraestruturas verdes e soluções baseadas na natureza”.
“É um projeto que pensa em parques lineares, microflorestas, jardins de chuva. Não é implantado de uma hora para a outra, mas já ficam as diretrizes”, explicou a parlamentar, que defendeu que a arborização seja tratada como política pública permanente. “Árvore não dá voto, mas precisamos deixar um legado para as futuras gerações”, concluiu a vereadora.
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