A ideia de Hélio Zanatta: prefeito manda para Câmara reajuste de salário e vales sem o fim das negociações com sindicato (Fotos: Dario Banzatto e reprodução/rede social) |
Antes mesmo de finalizar as negociações salariais de 2026 junto ao Sindicato dos Municipais e Executivo, o prefeito Hélio Zanatta (PSD) bateu o martelo e enviou para Câmara de Vereadores, na forma de urgência, os projetos de leis (PLs) para reajustes dos contracheques e vales dos servidores municipais. Os projetos, ao esquema atropelo do Executivo no Legislativo, estavam na pauta da sessão camarária desta quinta, dia 26, mas não foram votados porque a sessão foi suspensa pouco antes das 21h por falta de quórum – rolou um ataque com palavras de calão contra Rai de Almeida (PT) por parte dos vereadores Renan Paes (PL) e Alessandra Bellucci (AVA). Como antecipou o sindicato à reportagem ontem, dia 26, o Siave (sistema de consulta da Câmara), mostra hoje, na ata da sessão e nos projetos, as solicitações de retirada dos PLs.
A ideia de Zanatta
Com assembleia geral marcada para o próximo dia 31 – portanto, ainda não há um acordo entre servidores e prefeitura – ‘Helinho’ atropelou o rito e fixou a revisão dos vencimentos em 3,81%, abaixo dos 4,1% apresentados em proposta anterior e rejeitada em assembleia da categoria no último dia 16. Os servidores reivindicam reajuste salarial de 12,62%, sendo 4,62% de reposição inflacionária e 8% de aumento real.
Sobre os vales, ‘Helinho’ determinou R$ 340 para alimentação e R$ 60 para café da manhã – o pleito do funcionalismo é de R$ 500 e R$ 100, respectivamente.
Irregular
Para Osmir Bertazzoni, dirigente sindical, a situação é irregular. “Não considero válido do ponto de vista negocial”, afirmou sobre os envios dos PLs à Câmara sem o término das negociações. Ainda conforme Bertazzoni, “houve uma precipitação que nunca ocorreu” em gestões anteriores e “há 38 anos, sempre os PLs foram enviados após a decisão assemblear”, portanto, o prefeito desrespeitou o processo de tomada de decisão conjunta e a gestão democrática.
A Comissão Salarial do sindicato informou à reportagem que houve uma antecipação das propostas ao Executivo, enviada no início de fevereiro, a fim de haver tempo hábil para negociações, mas o retorno com contrapropostas só aconteceu em março.
A pressa da prefeitura tem motivo na necessidade de fazer o pagamento aos servidores na próxima semana e evitar rodar um segundo holerite adicional, além de correr atrás da inoperância de sua agenda de negociação.
Desistência
Bertazzoni também relatou ontem, dia 26, ter recebido informações da Secretaria de Governo de que o prefeito retiraria a urgência na tramitação açodada na Câmara para aguardar nova assembleia, o que, na prática, não havia acontecido até a noite de quinta-feira. Hoje, dia 27, com a pressão do sindicato e do funcionalismo, houve uma retirada formal dos PLs na tramitação da Câmara, consolidando o antecipado por Bertazzoni. "A Prefeitura se comprometeu retirar os PLs e aguardar o final da negociação", informou o dirigente do sindicato.
Vale lembrar o documento oficial assinado pelo prefeito sinalizando arrocho do orçamento em favor do maior endividamento de Piracicaba com banco. Em tempo: a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, o funcionalismo no caso, e, ao que tudo indica: ‘Helinho’ não se importa. Colaborou com a apuração desta reportagem a jornalista Sabrina Rodrigues Bologna.
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