Custo dos equipamentos para os cofres públicos é maior que R$ 25 milhões ao ano, descontando valores com multa arrecadada
(Foto: Prefeitura de Piracicaba)
O arrecadado pela prefeitura em 2025 com multas de trânsito não cobre nem 10% do valor anual pago a contratos de terceirizadas para radares e monitoramento por câmeras. Esta lebre foi levantada pelo vereador Laércio Trevisan Jr. (PL) na sessão camarária de segunda-feira da semana passada, dia 16.
Dados
Com base em dados públicos da administração municipal, o gasto anual com os equipamentos instalados em Piracicaba é de R$ 28,54 milhões (mi). Já o valor com infrações em 2025 alcançou R$ 10,51 mi, mas o montante efetivamente pago pelos motoristas autuados chegou a apenas R$ 2,51 mi.
O cálculo mostra que, se todos os possíveis infratores tivessem pago suas multas, o volume de entrada nos cofres municipais corresponderia a 36,82% do custo dos equipamentos, mas, pelo valor arrecadado, só entrou 8,79% – fato que imputa aos cofres públicos um desembolso de R$ 26,03 mi ao ano.
Perguntas & (não) respostas
Se por um lado, o da prefeitura, a alegação oficial é de reduzir acidentes e índice de mortalidade no trânsito, a coisa não tem funcionado bem. Piracicaba encerrou 2025 no topo do ranque do Estado de SP de letalidade no trânsito com 74 mortes registradas, representando uma taxa de 17 óbitos por 100 mil habitantes, de acordo com o Infosiga-SP – o registro por aqui superou municípios mais populosos como Campinas e Guarulhos.
Para Trevisan, a situação se resume em indústria da multa e há outros meios menos custosos para tornar o trânsito mais seguro. “Ampliamos o número de radares, e [vídeo] monitoramento virou radar para multar, e o número de mortes aumentou. O que isso significa? Que o radar não coíbe [o motorista]. O que melhora e vai mudar o número de mortes é sinalização, lombada, semáforos e planejamento”, pontuou o vereador.
A reportagem questionou a prefeitura sobre o motivo da manutenção dos pagamentos por tais contratos (radar e monitoramento por vídeo) frente ao baixo retorno com a arrecadação, mas não houve qualquer retorno.
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