Reportagem requisitou cópia fiel da cédula utilizada na votação e não encontrou dificuldades para responder as opções
(Imagem: Sindicato dos Municipais)
A campanha salarial do funcionalismo municipal deu o que falar e é assunto quente entre semana passada e a atual. Na noite da última sexta, dia 17, o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região anunciou o aceite pela categoria, em votação por urnas, da proposta do prefeito Hélio Zanatta (PSD).
Houve muita reclamação por parte dos servidores sobre a falta de entendimento sobre o pleito, tecnicamente chamado por assembleia setorial, ser apenas consultivo e não ter finalidade decisória.
Alguns também pontuaram que o sindicato levou as urnas até locais de concentração de comissionados e não foi ao ‘chão de fábrica’ – por exemplo, foram à Secretaria Municipal de Educação, mas não passaram pelas escolas.
Houve pontos digamos, esquisitos, como questionamentos quanto à numeração das cédulas de votação e confusão na leitura por conta da diagramação das perguntas e respectivas respostas.
A reportagem fez estas três perguntas ao sindicato e a entidade prontamente prestou esclarecimentos. Sobre o primeiro ponto, quanto ao sindicato usar de urnas em substituição a assembleia presencial, é uma decisão válida. “Realizar assembleias setoriais para consultar a base antes de uma negociação ou para aprovar termos específicos de um setor é um direito e uma prática sindical legítima”, colocou o sindicato.
Sobre comissionado versus chão de fábrica, o sindicato esclareceu que o número de comissionados tem número relativamente pequeno em relação aos concursados e celetistas, e que a entidade levou as urnas a pontos descentralizado e também disponibilizou em sua sede a possibilidade de votação.
Sobre as cédulas, a reportagem recebeu uma imagem fiel do distribuído no pleito e não encontrou dificuldades quanto à interpretação de texto. “Com relação ao questionamento das cédulas serem numeradas, nunca vimos um processo de votação com numeração em cédulas, apenas quando são vendidas rifas”, esclareceu o sindicato.
Veja as perguntas e respostas na íntegra abaixo. Leia artigo do representante sindical José Osmir Bertazzoni sobre o mesmo tema.
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1) Há uma grande insatisfação da categoria sobre a consulta via urnas ter aprovado o dissídio proposto pela prefeitura. Qual foi a transparência sobre este ponto por parte do sindicato que, ao que a partir de críticas, se confundiu para o servidor quanto à um plebiscito sobre a greve? Em quais pontos legais o sindicato está amparado em legislação própria e nacional para fazer a dita setorial e decidir sobre o servidor em geral quanto ao dissídio?
Resposta: O Sindicato deu ampla divulgação comunicando os servidores sobre a questão da assembleia setorial, divulgamos nas redes sociais, via WhatsApp bem como no site oficial do Sindicato. Também, divulgamos o edital comunicando a assembleia setorial nos Jornais Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana no dia 10 de abril de 2026.
As cédulas estavam claras, onde os servidores escolheram as opções a serem votadas e todas as urnas, foram acompanhadas pelos dirigentes deste Sindicato que esclareceram todas as dúvidas surgidas.
Com relação ao amparo legal, o art. 8º, III, da Constituição Federal de 1988 estabelece que cabe ao Sindicato a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas. Essa norma garante a substituição processual, permitindo que o Sindicato atue em nome dos trabalhadores sem precisar de autorização individual. Realizar assembleias setoriais para consultar a base antes de uma negociação ou para aprovar termos específicos de um setor é um direito e uma prática sindical legítima, desde que respeitados os trâmites do edital de convocação e o estatuto da entidade.
2) O jornal recebeu relatos de que o sindicato levou as urnas aos comissionados e não chegou até os trabalhadores, o chão de fábrica. Exemplifico com a Educação: as urnas foram à secretaria e não chegaram às escolas da rede. O sindicato confirma esta informação, admite falha?
Resposta: Primeiramente, cabe informar que a quantidade de comissionados, não afeta em absolutamente nada o resultado da escolha dos servidores, pois totalizam no máximo 300 servidores, isso se todos votassem, o que não ocorreu. Outra questão, os votos são secretos e não tem como se comprovar o que cada comissionado votante, escolheu, pois, a cédula, não identificava quem era o votante.
Lembrando que, os comissionados têm os mesmos direitos dos servidores municipais concursados.
As escolas foram sim abrangidas, infelizmente, nem todas, pois não conseguimos chegar em todos os postos da prefeitura, mas para suprir essa impressibilidade, disponibilizamos na sede do Sindicato, uma urna para a votação até às 19h para que os servidores que não puderam votar em suas unidades, pudessem exercer seus direitos.
3) Sobre as cédulas de votação há críticas em 2 pontos: confusão na diagramação das duas perguntas, dissídio e greve; e falta de numeração das cédulas. Como o sindicato esclarece estas 2 questões? Por favor, envie uma imagem da cédula (vide acima) assim como foi disponibilizada para votação.
Resposta: nas cédulas, tinham duas perguntas claras, que cada uma das perguntas tinham o espaço para votarem SIM ou NÃO e se o servidor tivesse qualquer dúvida a ser esclarecida, os diretores estavam presentes para responderem e esclarecerem. Assim, como na lista de presença foi claramente escrito: “Em continuidade à Assembleia Geral Extraordinária instalada para a discussão e deliberação das negociações salariais dos servidores do município de Piracicaba/SP, desde 06 de fevereiro de 2026, amparada pela Lei Municipal 5686/2026 que estabelece a data base da categoria para o mês de março.”
Com relação ao questionamento das cédulas serem numeradas, nunca vimos um processo de votação com numeração em cédulas, apenas quando são vendidas rifas. E mais ainda, para segurança dos servidores no anonimato, em caso de numeração das cédulas, bateriam com a numeração para assinatura na lista de presença, portanto, facilmente seria identificado o voto do servidor.
O processo foi transparente, tanto que comunicamos a data da abertura das urnas, onde qualquer servidor poderia estar presente como fiscal.
Por derradeiro, durante a apuração dos votos houve a presença de servidores, imprensa e da Federação de Servidores de São Paulo que cuidou da escrutinação.
Estamos à disposição deste conceituado jornal.
Gratos pela oportunidade de respostas.
Diretoria do Sindicato dos Municipais
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