2025: prefeito ‘Helinho’ (PSD) bate recordes históricos para queda de coleta de recicláveis e alta de lixo domiciliar; reportagem faz denúncia ao MP e Gaema


Em 12 anos de acompanhamento dos recicláveis, 'Helinho' bate pior resultado desde 2013
(Imagem: reprodução/Prefeitura de Piracicaba)

Historicamente, a coleta de recicláveis em programa municipal nunca foi tão baixa como o resultado de 2025, batendo no ‘fundo do poço’ com 1.510,40 toneladas (ton). Os dados são da prefeitura em informações públicas sobre meio ambiente em Resíduos Sólidos - Coleta Seletiva, Coleta de Materiais Recicláveis. Este último resultado anual é o pior desde o início do acompanhamento do serviço, em 2013.

No comparativo com o melhor índice, o de 2024, a capacidade no primeiro ano da gestão Hélio Zanatta (PSD) despencou -60,89%. O ex-prefeito Luciano Almeida (PP) se consagrou como campeão dos piores volumes de coleta seletiva entre 2021 e 2022, recolhendo 1.967,88ton e 2.187,12ton, respectivamente, mas virou o jogo em seu último ano, em 2024, batendo o recorde da série histórica com 3.862,21ton. 

Até a chegada de ‘Helinho’, o terceiro pior resultado foi em 2020, com 2.366,68ton, aconteceu no último ano de do ex-tucano Barjas Negri, que agora está no mesmo partido de Zanatta. Piracicaba tem potencial para reciclar cerca de 43.800ton ao ano – o volume mostra que a capacidade do governo só chegou a 3,44% no ano passado.

Esquecidos

Conforme reportagem da Corporis Brasil, uma central de cooperativas, em setembro de 2025, o Reciclador Solidário, principal serviço do setor em funcionamento na cidade desde 2001, apontou “redução do número de caminhões disponibilizados pela prefeitura para o recolhimento de resíduos sólidos”, sinalizando, naquele mês, e sem o término do período, “queda no volume coletado, impactado diretamente o retorno financeiro dos trabalhadores”. Esta situação foi constatada durante visita à cooperativa, no bairro Ondinhas, feita pela vereadora Silvia Morales (PV/Mandato Coletivo) e pelo deputado Luiz Claudio Marcolino (PT).

É notória também a falta de campanha junto à população para conscientização da importância da reciclagem, dias de coletas nos bairros e informações sobre como disponibilizar os materiais. A última ação registrada neste sentido por parte do governo municipal é de 2017, ou seja, há quase dez anos.

Recorde de alta

Na mão inversa e com alto custo, a coleta de lixo domiciliar só aumenta – provavelmente recebendo recicláveis. O maior volume em Piracicaba também foi registrado em 2025, num total de 142.151,47ton, mais de 90 vezes a quantidade de recicláveis coletados no mesmo ano. Em uma estimativa a partir do contrato do lixo com a Piracicaba Ambiental, saíram dos cofres municipais cerca de R$ 80 milhões para o serviço em 2025.

E o contrato, um dos mais caros do município, não vai bem há tempos. A última informação no site da prefeitura sobre o Processo de Caducidade da Parceria Público-Privada dos Resíduos Sólidos Urbanos (PPP do Lixo) dava conta de um prejuízo milionário à cidade em 2024. 

“Os relatórios elaborados pela Fipe, recentemente concluídos, identificaram falhas significativas e apuraram um valor superior a R$ 600 milhões em créditos que devem ser devolvidos ao município de Piracicaba. Esses estudos foram encaminhados à Agência Reguladora Ares-PCJ, que, em resposta, reconheceu a regularidade do Processo de Caducidade, confirmando que a empresa teve oportunidades de corrigir as falhas e manifestar sua defesa. A Agência também deu anuência favorável à prefeitura para a possível decretação da caducidade do contrato”, informou nota da administração municipal de dezembro daquele ano.

Todas as questões sobre saneamento básico foram enviadas à prefeitura, com cópia para ao Ministério Público e Gaema. A administração de Zanatta não prestou quaisquer esclarecimentos à reportagem.

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