Pacheco, vice de Hélio Zanatta (PSD), também disse em audiência não ter tido tempo hábil para checar condições do laboratório de Charqueada
(Foto: Rubens Cardia)
A ida dos exames da rede SUS municipal de Piracicaba para o laboratório de Charqueada, o Miguelab, foi o caminho escolhido pelo então secretário de Saúde e vice-prefeito Sergio Jose Dias Pacheco Junior (PSD), após ser informado que o fim do contrato com a Previlab se daria em 24 horas. A situação ‘pegou de calças curtas’ foi relatada pelo próprio durante audiência sobre o estrangulamento do Laboratório Municipal, tema de audiência pública na Câmara de Vereadores no último dia 19. E a situação fica mais estarrecedora ainda.
Pacheco também disse não ter checado, enquanto Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a qualidade da empresa Miguelab por falta de tempo hábil e atribuiu o erro ao fiscal do contrato com a Previlab – mas, sem citar nomes. A situação é foco do requerimento 579/2026, de autoria do vereador André Bandeira (PSDB), ainda sem respostas do Executivo.
“Eu não tinha 24 horas para pensar, ia encerrar, ia encerrar o contrato. (...) No mesmo momento que chega o e-mail, com menos de 24 horas para encerrar esse contrato, chega para a gente um estudo técnico preliminar com um termo de referência pronto, já com pesquisa de preço, já com tudo pronto”, disse o vice, arrematando que, simultaneamente à situação da Previlab, chegou em suas mãos “um contrato de um milhão de reais, para ser assinado em 24 horas”, fazendo com que ele recorresse ao laboratório de Charqueada e deixasse de lado uma nova licitação.
A opção pela empresa de saúde na cidade vizinha veio por meio do consórcio Cismetro Limeira, do qual Piracicaba integra e usa 45 serviços. Segundo Pacheco, a SMS não usa mais a Miguelab.
A prioridade nos gastos de Zanatta
Agora, a bola da vez via Cismetro é o Isas (Instituto de Saúde e Ação Social), com o município utilizando serviços de exames na unidade de Sumaré, a quase 50km de Piracicaba e sob a promessa da abertura de um laboratório por aqui. O Laboratório Municipal de Piracicaba é referência em saúde pública e, conforme os planos do governo Hélio Zanatta (PSD), será enxugado para economizar 25% dos custos de seu funcionamento, a uma média de R$ 1,39 milhão ao mês, e livrar a prefeitura de processos licitatórios para compra de insumos.
E ficam as perguntas: a natureza de uma empresa privada – para onde a prefeitura pretende migrar o serviço em esquema de quarteirização via Cismetro – é a obtenção de lucro e, se é real a economicidade aos cofres públicos, seria caso de falta gestão e planejamento – a queixa do vice e ex-secretário, médico de profissão, foi enfática em faltar itens básicos, como esparadrapo, por problemas em fornecimentos contratados, mas, para isso, há uma ferramenta bem conhecida chamada por licitação em regime de registro de preço compra, uma espécie de cotação já acertada, a qual o governo pode recorrer a qualquer momento a outro fornecedor.
Ainda no ponto redução de custos, o ex-vereador e sindicalista José Antonio Fernandes Paiva deu uma alfinetada certeira durante a audiência: o valor do contrato de publicidade da prefeitura de Zanatta, em R$ 11 milhões, faria o Laboratório Municipal funcionar por 16 meses. De forma contraditória, Pacheco argumentou com a fala sobre a quarteirização ter foco na responsabilidade com recursos públicos – deixando de lado o ponto dos milhões para a publicidade de ‘Helinho’.
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