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Força das águas de córrego enterrado em 1950 levou o asfalto na altura do Clube de Campo de Piracicaba, próximo à Ponte do Mirante (Foto/crédito: Prefeitura de Piracicaba) |
Obra atrasada e dinheiro parado são fatos em Piracicaba quanto à drenagem das águas de chuva para sanar – ou reduzir – os reflexos das enchentes no córrego Itapeva, canalizado sob uma das principais vias, a avenida Armando de Salles Oliveira, Centro. A reportagem levantou estas ‘lebres’ após as chuvas torrenciais do último dia 29, que provocaram morte e prejuízos à cidade. A prefeitura de Hélio Zanatta (PSD) só tem em mãos para o Itapeva uma obra com contrato emergencial de R$ 1,82 milhão com prazo de 120 dias e estendido para 300 dias mais recursos do governo federal, num total de R$ 58,6 milhões – este ainda sem sinal de andamento.
A canalização foi executada em 1950 – leia mais aqui – e o pico de chuvas deste 29 de janeiro foi de 52,4mm entre 22h40 e 23h, conforme a pluviometria do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A prefeitura foi questionada sobre a Verdebianco e verba do governo federal, mas não prestou qualquer esclarecimento.
Contrato emergencial
A prefeitura contratou sem licitação, em abril de 2025, a empresa Verdebianco Engenharia, conforme o Diário Oficial do dia 9 daquele mês para conclusão das obras em 120 dias. Em 3 de setembro, 18 de novembro e 20 de janeiro, ainda conforme o Diário Oficial, o prazo deste contrato foi dilatado em 60 dias para cada um dos três aditivos, um aumento de 180 dias. O que era para estar pronto em agosto do ano passado, ganhou anuência da gestão Zanatta para ser entregue somente no fim de março de 2026. O objeto do contrato é, conforme o Diário da prefeitura, “execução de obras de infraestrutura para construção e reforço estrutural em trecho de galeria de canalização do córrego Itapeva” – esta é a única iniciativa do governo municipal para a área num orçamento 2026 em mais de R$ 3 bilhões.
Entre as ‘curiosidades’ no trato com o córrego. que passa debaixo da av. Armado Salles, Centro, está a suspensão feita por 'Helinho' em 4 de abril de 2025 de um pregão regular de 2 outubro de 2024, da gestão Luciano Almeida (PP), o de número 480, para “imageamento e mapeamento da canalização do córrego Itapeva com a utilização de sistema Slam”. A disputa, conforme ata, teve apenas uma empresa, a Hibbard Inshore Brasil, que venceu pelo preço calculado no edital, R$ 307,75 mil.
Ainda conforme o edital 480/24, o serviço requisitava uso de robôs para inspecionar e verificar as condições de conservação da galeria do Itapeva, por meio de imageamento e mapeamento 3D de toda a superfície da galeria de 2,6km de extensão, incluindo a superfície submersa. Os objetivos, a partir dos dados coletados, eram os de chegar à “nuvem de pontos para formar o modelo da galeria em 3D”, “imageamento panorâmico da abobada e das paredes” e "capturar as seções e as formas geométricas das paredes na superfície submersa”.
O mesmo pregão também deveria oferecer à prefeitura relatórios sobre a estrutura do canal: laudo técnico das patologias; apêndice das anomalias observadas; apêndice do mapeamento; modelagem da galeria e das anomalias consideradas mais graves; e seções transversais da parte seca junto com as seções da parte submersa.
Uma segunda ‘curiosidade’ é que, no mesmo Diário Oficial de 9 de abril de 2025, quando foi contratada a Verdebianco, a prefeitura mostrava um outro contrato para a aquisição e instalação de central de climatização no prédio do Centro Cívico com preço quatro vezes maior frente às obras atrasadas, num total R$ 7,24 milhões. Como dizem: prioridades.
PAC
Liberado em setembro de 2025 em articulação da deputada Professora Bebel (PT) junto ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os R$ 58,6 milhões do Novo PAC Seleções não tem nem sinal de fumaça de projeto e quanto mesmo de licitação do governo 'Helinho'. A verba de vulto é exatamente “para a ampliação do canal do córrego Itapeva, ao longo das avenidas 31 de Março e Independência até a rotatória da avenida Água Branca”, informou a prefeitura em release sem qualquer detalhamento.
“O canal terá função dupla: conduzir as águas pluviais e atuar como reservatório, ajudando a amortecer cheias em períodos de chuvas intensas. Também inclui todos os serviços de microdrenagem da bacia do córrego. Na rotatória da avenida Água Branca será implantado um reservatório complementar, reforçando a capacidade de retenção e contribuindo para a diminuição de alagamentos em um dos trechos mais afetados da cidade”, disse o material da gestão Zanatta em seus parcos quatro parágrafos.
O acompanhamento do PAC é feito pelo site Tranfere Gov BR e, em checagem feita nesta segunda, dia 2, pela reportagem, não há nada relacionado ao projeto aprovado pelo governo Lula quanto ao requisitado pela ‘terra da pamonha’ sobre “execução de obras de canalização e reservatórios de detenção temporária do córrego Itapeva”.
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