Vereadores extremistas e lacradores vinculam ala da esquerda com feminicídio e grita é feita por parlamentar acusado de espancar esposa; vereadora Rai (PT) pede apoio do governo federal para custeio de próteses a mulheres vítimas de violência


À esquerda, cadeira vazia de Renan Paes (PL) durante a primeira sessão de 2026; na direita, Fabrício Polezi brada sobre feminicídio
(Fotos/créditos: reprodução/Câmara de Piracicaba)

A vinculação de figuras políticas da ala à esquerda com um ex-comissionado da Câmara Municipal – preso por tentativa de feminicídio nesta semana, um homem conhecido por Marcão do Povo – esquentou a sessão camarária desta segunda, dia 2. O parlamentar de extrema-direita Renan Paes (PL) publicou em suas redes sociais uma série de ataques, em fotos e texto, contra Silvia Morales (PV/Mandato Coletivo) e a deputada estadual Professora Bebel – no esquema ‘metralhadora’, modus operandi de perfis como de Paes, e também sobrou ataque à OAB Piracicaba e ao Comitê de Defesa dos Direitos Humanos de Piracicaba. 

O contexto foi tão ladeira abaixo que a vereadora Silvia, de pronto e em contato com advogados, ligou o microfone e declarou que irá buscar a Justiça por danos morais. Ela lembrou que a primeira fala de Paes, ao assumir a cadeira, foi de que iria passar por cima de mulheres da esquerda. 

“Cabe muito bem um boletim de ocorrência por difamação, constrangimento ilegal, associação de imagem colocada em um fato que não tem nada a ver. Isso é um assédio digital e moral, e isso terá respostas judiciais. Se ele quer amedrontar as mulheres da Casa, nós somos poucas e ninguém solta a mão de ninguém. E é tão corajoso que põe nas redes e não vem pra cá”, disse Silvia de forma enérgica, destacando que o vereador extremista e lacrador na internet não estava presente durante a sessão. Até esta quinta, dia 5, as postagens de Paes continuam ativas em seu perfil. 

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Piracicaba, doutor Gustavo Henrique Pires, gravou um vídeo e respondeu ao extremista com um tapa de luva de pelica, convidando-o para uma conversa sobre o direito de acesso à escola, por exemplo. 

O PT Piracicaba respondeu à situação com nota de repúdio e o Comissão de Direitos Humanos publicou nota oficial sobre a tentativa de feminicídio – contrariando a postagem de Paes, que escreveu: “não vai ter notinha da OAB Mulher, nem da comissão de DH da OAB Piracicaba, nem das feminazi, nem de nenhum blog de esquerda, nem de maconheiro blogueiro, nada”.





O método

A celeuma foi levantada pelo vereador recém-chegado à atual legislatura, Fabrício Polezi (PL), da mesma ala e perfil de Renan Paes. Já que este último havia faltado da primeira sessão de 2026, foi Polezi – investigado em 2024 por espancar sua esposa – que, no plenário, em pé e aos berros, pediu a exibição das postagens de Paes. 

Ao ter as fotos no telão de Marcão do Povo abraçado com Bebel e Silvia Morales, destilou “que deu todas as oportunidades para a vereadora petista, que defende e grita em prol das mulheres, para falar da tentativa de feminicídio que acaba de acontecer” – como se Polezi presidisse a sessão ou fosse um inquisidor.

Colocando a bola no chão e respondendo como adulta que é – e não com lacre como faz a extrema direita – Rai se posicionou de forma serena. “O vereador faz uma acusação muito séria. Ele está me dizendo de omissão com essa questão. Eu acabei de falar dessa questão e do meu repúdio aos casos de violações de direitos que as mulheres sofrem todos os dias. Inclusive, este vereador tem um processo em tramitação no judiciário de agressão a sua esposa. Não podemos apontar o dedo para quem não tem nenhuma responsabilidade com isso [o feminicídio] e esquecer o que ele fez com sua esposa em 2021”. 

Polezi, ao seu estilo, atacou Rai com termos como “mal-amada” e defendeu que as investigações contra ele foram encerradas. “Homem que nem eu, ela nunca vai achar na vida dela”, encerrou Polezi sobre o seu casamento com a galeria indo aos risos. Vale lembrar que Polezi e Paes são da base governista do prefeito Hélio Zanatta (PSD).

Pouco antes do bafafá... 

Em visita recente ao Ministério da Saúde, a vereadora Rai de Almeida (PT) levou para o governo federal reivindicação de apoio da FOP-Unicamp (Faculdade de Odontologia) ao projeto Sorriso Delas – voltado à recuperação buco maxilar de mulheres vítimas de violência. Ela falou sobre o assunto pouco antes do surto da extrema direita de tentar vincular o episódio de feminicídio à ala da esquerda. “[A FOP] tem um atendimento de extrema relevância na faculdade, mas não tem visibilidade e faltam recursos para compra das próteses, fazendo com que elas voltem a sorrir e melhore a autoestima”, destacou sobre a defesa do projeto. 

Rai também apontou para o governo Lula (PT) a ausência de ambulatório na rede municipal para cuidar de anemia falciforme, que acomete a população negra. “Até os bebês que nascem não tem cadastro ou protocolo na Secretaria [Municipal de Saúde], a partir do exame do pezinho”.

________

CURTE O DIÁRIO?  

Contribua com o jornal:

PIX (chave e-mail)

odiariopiracicabano@gmail.com

Na plataforma Apoie-se

(boleto e cartão de crédito):

https://apoia.se/odiariopiracicabano

***

Apoie com R$ 10 ao mês (valor sugerido).

Precisamos de 100 amigos com essa doação mensal.

Jornalismo sem rabo preso não tem publicidade!

Postar um comentário

Mantenha o respeito e se atenha ao debate de ideias.

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato