Após dois anos da maior tragédia ambiental no rio Piracicaba, prefeito ‘Helinho’ (PSD) seca recursos em mais de 95% em 1º orçamento com assinatura do seu governo e estrangula gestão de meio ambiente em 2026


Para dar ares de ações em prol do rio Piracicaba, prefeitura de Zanatta (PSD) usa foto antiga de obra em postagem nas redes sociais
(Imagens: reprodução/site e redes da Prefeitura de Piracicaba)

Foi um choque abrir os dados de Piracicaba sobre o primeiro orçamento montado por Hélio Zanatta (PSD) – o de 2025, como de praxe em transição de governo, foi de autoria de Luciano Almeida (PP). ‘Helinho’ simplesmente passou o facão na área de gestão ambiental – vale lembrar que o prefeito extinguiu a Secretaria de Meio Ambiente logo no seu início de mandato, colocando a antiga Sedema no guarda-chuva da Pasta de Agricultura. Conforme o relatório do Tesouro Nacional, alimentando com informações pelo e do próprio governo municipal, houve um corte de R$ 223,08 milhões (mi), uma redução de -96,24% em 2026 frente ao caixa do ano passado.

A reportagem coletou as informações dos Relatórios de Execução Orçamentária dos primeiros bimestres, declarados pela gestão municipal ao Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro) da Secretaria do Tesouro Nacional.

Na linha do tempo, de 2024 para cá, a gestão ambiental perdeu recursos pela segunda vez consecutiva: R$ 248,95 mi (2024); R$ 231,78 mi (2025); e R$ 8,69 mi (2026), demonstrando um corte abrupto no primeiro orçamento com a assinatura de Zanatta. Segundo relatório da prefeitura à Câmara de Vereadores, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima repassou ao município, em março, valor maior do que todo o caixa para o ano em gestão ambiental, num total de R$ 9,89 mi.

Destrinchando a área, em percentual, a subárea Controle Ambiental foi a de maior recuo entre 2025 e 2026: -98,44%, de R$ 169,20 mi para R$ 2,63 mi. Em segundo lugar ficou Preservação e Conservação Ambiental, com queda de -87,83%, de R$ 47,78 mi para R$ 5,81 mi. Por último, mas também com recuo significativo, Recursos Hídricos perderam -57,6% do seu caixa, de R$ 575 mil para R$ 243,79 mil. Vale lembrar, entre outros problemas ambientais gritantes, a ocorrência da maior contaminação do rio Piracicaba, em julho de 2024, considerada por especialistas e autoridades como a mais grave tragédia ambiental da sua história. A reprodução fiel dos dados estão nas imagens abaixo.


Informações de 2025



Informações de 2026


'Pero no mucho'

A parte ‘engraçada’ ao ver as prioridades de ‘Helinho’ traduzidas em números do orçamento 2026, é uma postagem nas redes sociais deste sábado, dia 24, na conta da prefeitura, afirmando que “O rio Piracicaba recebe o cuidado que merece”. Para piorar, a mesma postagem usa uma foto antiga de uma obra divulgada no site da prefeitura de um ano atrás, em 11 de abril de 2025, sob o título e linha fina “Prefeitura retoma obras de desassoreamento do rio Piracicaba” e “Equipe atua com construção de muro de gabião na avenida Jaime Pereira, próximo à rua Curitiba”.

Outras quedas

Também perderam recursos as áreas de trabalho e ciência e tecnologia no comparativo entre as dotações (caixa) de 2025 e 2026. A Pasta ligada ao ex-sindicalista José Luiz Ribeiro teve recuo de -85,44%, de R$ 17,75 mi para R$ 2,58 mi. Já a segunda área, da secretária de Desenvolvimento Econômico, Thaís Fornicola, encolheu -33,8%, de R$ 500 mil para R$ 331 mil.

De Zé Luiz, homem de ‘Helinho’ para a Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda, o corte mais profundo foi na subárea Proteção e Benefícios ao Trabalhador, com recuo de -99,16%, passando de R$ 16,24 mi para R$ 136 mil. Ainda na mesma Pasta, encolheu também o Fomento ao Trabalho, aos -85,86%, de R$ 245 mil para R$ 35,90 mil.

Ainda figura no ranque das reduções de caixa a área de transporte – esta não tem relação com o transporte coletivo, mas investimentos da prefeitura nos modais aéreo, rodoviário, ferroviário e hidroviário. A única subárea com destino de verbas é a aérea, relacionada à reforma do Aeroporto Municipal Comendador Pedro Morganti. Ao que tudo indica, o prefeito não parece estar muito preocupado com a reforma para o local anunciada em 2024. Os recursos caíram de R$ 500 mil para R$ 331 mil (-33,8%).

Em tempo: a capacidade de execução do orçamento no comparativo entre o primeiro e segundo anos de gestão de Zanatta segue a mesma toada, com um pequeno declínio. Ao fim do primeiro bimestre de 2025, o prefeito conseguiu investir 9,86% e, neste ano, 9,21%. Veja, a seguir, o ranque de áreas com maior engorda de caixa no comparativo entre 2025 e 2026. A reportagem abriu espaço para o prefeito e todos os secretários comentaram os desempenhos de suas Pastas e autarquia, mas nenhum deles se manifestaram.

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