Durante a sessão, Thiago Ribeiro observa o tumulto e não concede direito à palavra à parlamentar
(Foto: reprodução/TV Câmara)
Um tom de violência política de gênero dominou a sessão camarária desta segunda, dia 27, sob o comando da Mesa Diretora do vereador Thiago Ribeiro (PRD) contra Rai de Almeida (PT). Mesmo sendo citada em discursos truculentos do líder de governo Josef Borges (PP) e do ‘vereador federal’ Renan Paes (PL), que usaram de termos contra a parlamentar como desfaçatez – que significa falta de vergonha, descaramento, insolência ou atrevimento – e acusação sobre “não gostar de trabalhar” por ser da ala de esquerda. A vereadora já reclamou, em plenário, de sofrer tal tipo de violência.
Violência na Câmara: primeiro ato
Thiago, presidente da Câmara em exercício naquele momento, bateu de frente com Rai quando a mesma pediu a palavra para responder, primeiro, a Josef que a atacou por exibir um vídeo sobre as condições de pavimentação no bairro Itaperu, especificamente na estrada Arthur Semmler Tietz. Como o próprio afirmou, o bairro está na região de Artemis – seu curral eleitoral – e o líder aproveitou o pedido da vereadora para asfaltamento para apontar que a mesma votou contra o empréstimo via PAC do Governo Federal em cerca de R$ 350 milhões.
Com um pedido de pela ordem para deliberar, Thiago, de forma enérgica, defendeu que Josef não citou nominalmente Rai. “Citou a vereadora que acabou de falar, e quem acabou de falar”, questionou. Com muito custo e protestos de Josef e de Renan fora do regimento, a vereadora conseguiu um minuto. “O senhor não precisa ficar bravo comigo, fique bravo com os vereadores que estão fazendo tumulto”, disse Rai a Thiago.
Ela explicou não ser contrária ao serviço de pavimentação no bairro e emendou que “o PAC a gente nem sabe quando vem, portanto, esse pedido da moradora é para agora, é para ontem esta questão, não é para daqui um ou dois anos, e nem sabemos se vai ser aprovado o PAC pelo governo federal porque não tem projeto pronto”.
Josef retrucou com “a desfaçatez de alguns vereadores e vereadoras aqui é enorme”. “Nós recebemos uma lei aqui para receber o PAC que já está aprovado. Inclusive, para beneficiar aquela região. E a vereadora que votou contra, e aquela região não teria de imediato o serviço que precisa ser prestado lá, ao qual o prefeito falou ‘tem que fazer’, falaram comigo, não tem projeto, e votou contra. Eu não consigo denominar essa desfaçatez de votar contra o projeto que vai beneficiar a população e depois ter a cara de pau de vir aqui fazer a cobrança.”
Violência na Câmara: ato final
Violência na Câmara: ato final. O segundo ataque foi de Renan. “Em relação ao vídeo da vereadora do PT sobre o bairro Itaperu, pesquisei aqui e não tem nenhuma indicação dela falando do bairro. Não faz o mínimo, de escrever uma indicação. Porque, como sempre, um cara de direita tem que fazer o trabalho da esquerda, que não gosta de trabalhar.”
Novamente Rai pediu a palavra e recebeu uma pronta negativa de Thiago, sob a justificativa de não ser citada nominalmente. “O vereador citou o vídeo da vereadora do PT, qual é a vereadora do PT”, indagou ao presidente em exercício. Grosseiramente, Thiago fechou com “compete à presidência tal decisão e vou seguir com a primeira discussão do projeto”, disse, impedindo a fala da vereadora, que apena agradeceu.
Em tempo: a violência política de gênero é prevista como crime na Lei nº 14.192/2021. O regramento estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher, criminalizando condutas que limitem ou impeçam seus direitos políticos. O terceiro artigo diz que “considera-se violência política contra a mulher toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher”.
A reportagem entrou em contato com a Mesa Diretora, assessoria de imprensa da Câmara e com o vereador Thiago, mas ninguém se manifestou sobre o show de horror da sessão de segunda.
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