Piracicaba tem a maior taxa de internações por doenças provocadas pelo saneamento básico inadequado entre as maiores cidades da Região Metropolitana, mostra associação brasileira

Falta de infraestrutura pode causar de diarreia a hepatite

Piracicaba tem a maior taxa de internações hospitalares de Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) entre os quatros municípios de grande porte da Região Metropolitana de Piracicaba (RMP). Por aqui, fechamos com uma taxa de 23,39 e o melhor resultado foi de Araras, em 7,57 – cidade que não tem terceirização ou privatização em água e esgoto, diferente de Piracicaba, que aderiu à Parceria Público-Privada com a concessionária Mirante (grupo Aegea) em 2012.

A prefeitura de Hélio Zanatta (PSD), bem como os ex-prefeitos Luciano Almeida (PP) e Barjas Negri (PSD), mais o Semae, foram questionados, mas não prestaram esclarecimentos e nem se posicionaram quanto ao assunto; a Mirante enviou nota se diferenciando da privatização. Veja dados completos na tabela acima.

O ranque Universalização do Saneamento é da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), publicado em dezembro de 2025 com base em cinco indicadores oficiais de 2023 do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), braço do Ministério das Cidades.

A taxa de internações por DRSAI no Ranking Abes é calculada com base no número total de internações hospitalares por doenças feco-orais e outras infecções associadas à falta de saneamento, dividida pela população do município e multiplicada por um fator de padronização, geralmente 100.000 habitantes.

Segundo o Ministério da Saúde, por meio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), as doenças relacionadas ao saneamento são causadas pela falta de infraestrutura básica, como água potável, tratamento de esgoto, manejo indevido de resíduos sólidos (lixo) e drenagem urbana. Essas condições facilitam a contaminação da água, solo e alimentos, resultando em infecções e infestações.

Exemplos de DRSAI:

- Infecções Intestinais: diarreias, diarreia por E. coli, amebíase, giardíase.

- Doenças Infecciosas: hepatite A, febre tifóide, cólera.

- Doenças Vetoriais: dengue, zika, chikungunya (relacionadas ao acúmulo de lixo e água parada).

- Infecções por Bactérias/Vermes: leptospirose (urina de rato em enchentes), esquistossomose, teníase.

Essas doenças são consideradas indicadores de condições precárias de vida e, em grande parte, evitáveis com saneamento adequado.

2025 x 2021

Piracicaba evoluiu muito pouco nos últimos anos quanto às doenças provocadas pelo saneamento básico capenga, apenas 0,11 ponto. Cravando 2025 com uma taxa de 23,39, o levantamento anterior da Abes mostra que o mesmo índice em 2021, com a base de dados de 2019, fechou em 23,5. Já a evolução de Limeira e Araras foi bem diferente. A primeira saiu de 30,4 para 10,52 e a segunda, de 20,1 para 7,57.

Outros dados

Apesar de Piracicaba atingir a melhor pontuação total, aos 495,48, entre os quatro municípios de porte grande da RMP, o rendimento 100% foi verificado apenas para e a relação entre esgoto tratado a partir da água distribuída e consumida pela rede pública de abastecimento e disposição final adequada de resíduos sólidos urbanos (aterro sanitário). Já a coleta de lixo e as coberturas de água e esgoto pontuaram entre 97 e 98 por cento.

A boa notícia é que as quatro maiores cidades da RMP, Araras, Limeira, Piracicaba e Rio Claro, foram classificadas na categoria ‘Rumo à universalização’ em 2025, mostrando haver iniciativas do Poder Público para alcançar as metas do Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020) para chegar, até 2033, aos 99% no acesso à água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto em relação à população residente (rural e urbana).

Disse a Mirante

“É importante considerar que Piracicaba possui um modelo de Parceria Público-Privada (PPP) para os serviços de esgotamento sanitário, distinto da privatização dos serviços públicos, e que os indicadores de saúde pública são influenciados por diversos fatores, além do saneamento. O município conta com tratamento de 100% do esgoto coletado na área urbana, sob operação da Mirante, cenário que contribui para o reconhecimento de Piracicaba em levantamentos nacionais do setor, incluindo estudos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) e do Instituto Trata Brasil. A concessionária reafirma seu compromisso com o município, mantendo atuação permanente em parceria com o poder público para garantir a eficiência operacional do sistema e contribuir para a qualidade de vida da população”, informou nota da concessionária.

Quanto ao serviço obrigatório da Mirante em contrato com Piracicaba, vale o destaque do ranque de que as redes coletoras do esgoto não contemplam 100% da população, mas 98,75%.

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