Hype errado: vereadores Fabrício Polezi e Renan Paes, ambos do PL, aparecem em ligações com grupo de ação de boicote a comércios em Piracicaba por ideologia política; há comentários com ameaça de morte a lulistas


Prints do grupo de WhatsApp para boicote a comerciantes tem como avatar foto do vereador Renan Paes; parlamentares e nem a Câmara se pronunciam


Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)

A onda de lista de empresas a serem boicotadas por consumidores de direita também contaminou Piracicaba. Prevendo prejudicar de pequenos a grandes negócios instalados na cidade, a reportagem recebeu diversos prints de diferentes fontes que mostram a articulação direta da ação do vereador Fabrício Polezi (PL). O parlamentar aparece na condição de administrador de um grupo de WhatsApp que tem um segundo vereador como membro, Renan Paes, do mesmo Partido Liberal. 


Polezi aparece como administrador do grupo de Whats e Renan como membro

Não há informações sobre quais são as regras para classificar as empresas no enquadramento ideológico de esquerda – apenas uma referência aparece: postagens em redes sociais a favor do presidente Lula (PT). A lista piracicabana é tão nonsense que aparece uma empresa de um proprietário sabidamente da ala ideológica da direita e, inclusive, um defensor da monarquia.

ANÁLISES

A jornalista Thais Bilenky fez uma análise um tanto quanto assustadora sobre este movimento: a semelhança, guardadas as proporções, com a Noite dos Cristais da era nazista, quando houve um ataque em massa contra lojas de judeus. 

Rodolfo Capler, jornalista, escritor e teólogo, também fez uma análise da situação bizarra, classificando a ação coordenada por ‘Lista da Vergonha’. “Isso é criminoso, vergonhoso, de baixo nível. É a expressão da intolerância política e degradação da convivência democrática”, disse Capler, destacando a intenção de provocar prejuízos financeiros. 

Ação embute violência política

O segundo ponto e ainda mais bizarro é o comportamento violento de integrantes, no sentido do cometimento de crimes. Um deles fala em "matar" e “dar tiro na cara” de eleitores de Lula – tudo com a aparente complacência dos vereadores Polezi e Renan. 



A reportagem enviou as informações para a Câmara Municipal de Piracicaba, o presidente Relinho de Rezende (PSDB) e os dois vereadores citados, mas ninguém se manifestou.

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