Finanças de Hélio Zanatta (PSD) não tem previsão de pagamento do Descongela e confirma 2027 sem aumento real no salário dos servidores; empréstimos da Prefeitura de Piracicaba vão exclusivamente para asfalto a juros de R$ 38 mi com Semae zerado em operação de crédito para saneamento


'Helinho' não cumpre com promessa de campanha para valorização dos servidores; presidente do Ipasp é pego 'de calças curtas' com o 'Vende-se Piracicaba'
(Imagem: web)

Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)

O funcionalismo municipal de Piracicaba está lascado: não há previsão para pagamento do Descongela e nem reajuste acima da inflação para 2027. Também foi frustrada a previsão de algum repasse ao Ipasp pelo governo Hélio Zanatta (PSD) a partir da venda de 55 imóveis a fim de cobrir um calote do Executivo de R$ 2 milhões na previdência local. 

O show de horror com a promessa de campanha do atual prefeito para valorização dos servidores foi revelado em audiência pública sobre as peças orçamentárias na Câmara de Vereadores nesta quarta, dia 21. 

A partir de perguntas feitas pela servidora e jornalista Sabrina Rodrigues Bologna, a secretária de Finanças, Karla Lovato Pelizzaro, entregou as respostas negativas, defendendo, sem dar números, que a Prefeitura de Piracicaba precisa pagar terceirizados – portanto, não há espaço para aumento real dos salários e fica clara a opção pelo pagamento de lucro a empresas ao invés da contratação direta.

Sobre a redução dos valores nos holerites durante a pandemia de covid-19 e a devolução do dinheiro retido, autorizada por legislação sancionada pelo governo Lula (PT) em janeiro de 2026, tudo continua em estudo, podendo andar a partir de legislação própria ou mesmo uma canetada de ‘Helinho’ por meio de decreto. 

Na outra ponta, presidente do Ipasp, Antônio Carlos Schiavon, viu sua expectativa frustrada com um prometido fundo imobiliário. Ao comentar o assunto, a vereadora Silvia Morales (PV/Mandato Coletivo) alertou que a promessa de ‘Helinho’ se restringe ao texto da justificativa do Projeto de Lei 216/2026, o ‘Vende-se Piracicaba 2.0’ – a amarração legal, que deveria ser feita no corpo dos parágrafos e artigos do PL, simplesmente não existe. 

“Falei besteira aqui. Me desculpem. Eu enxerguei que, quando veio para cá [Câmara de Vereadores], estava começando o movimento para acertar a situação lá [no Ipasp]”, declarou o presidente do instituto, pego de ‘calças curtas’.

EPISÓDIO 'SAÚDE'

Na mesma audiência pública, a secretária de Finanças, Karla Pelizzaro, abraçou a mentira anteriormente contada pelo líder de governo na Câmara de Vereadores, Josef Borges (PP), sobre o orçamento para a saúde municipal. Josef acusou a reportagem de ter conhecimento das quedas no Projeto de Lei 215/2026, sobre a LOA (Lei Orçamentária Anual) 2027, quanto às quedas nas previsões de repasses estadual e federal – justificando que o volume de verbas não caiu na esfera municipal. 

A secretária afirmou que os dados estavam no anexo do projeto, porém, como já constatado anteriormente, não existem no documento. Um segundo ataque também partiu de Karla Pelizzaro: reclamou sobre o jornal não ter consultado a Prefeitura de Piracicaba, uma segunda mentira, porque foram requisitados esclarecimentos via e-mails oficiais do governo, sem quaisquer respostas do Executivo – ela também defendeu o uso do SIC (Serviço de Informação ao Cidadão), claramente desconhecendo a função da assessoria de imprensa via Departamento de Comunicação da prefeitura. 

A secretária continuou brigando com os números para defender a ‘engorda’ da Pasta de Obras em detrimento da saúde municipal. 

NÚMEROS EM DESTAQUE

No macro do Orçamento 2027 de ‘Helinho’, chamaram a atenção os R$ 345 milhões em operações de crédito (empréstimo), com juros calculados em R$ 38 milhões, a serem pagos no próximo ano. O montante vem do governo federal exclusivamente para asfalto, sem qualquer previsão de alguma cifra para o Semae investir no saneamento básico.

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