Mentindo na Tribuna: líder de governo na Câmara faz malabarismo na produção de documentos para justificar corte na saúde municipal com ataques pessoal e ao jornalismo


Josef Borges (PP) exibe números dos orçamentos municipais de 2026 e 2027 e comprova corte na saúde; líder culpa expectativa frustrada com emendas e PAC
(Imagem: Rubens Cardia)

Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)

Produção de documentos a posteriori, acusações e ataques ao jornalismo por parte do líder de governo na Câmara Municipal, Josef Borges (PP), e a opção da gestão Hélio Zanatta (PSD) pelo estrangulamento da saúde pública. Estes foram os desfechos da revelação exclusiva deste jornal sobre corte da Prefeitura de Piracicaba na saúde municipal para o orçamento de 2027. Protagonizado pelo líder – provavelmente acionado pela própria prefeitura – Josef passou a atacar o jornal e sua fundadora, Cristiane Bonin, nas redes do veículo e, como se não bastasse, o político usou a Tribuna na sessão camarária do último dia 8 para passar pano para o Executivo. 

“Você manipulou os números para vender uma mentira”, disse Josef em um dos seus inúmeros comentários na postagem sobre o corte, se dirigindo pessoalmente à jornalista – veja teor completo abaixo. 



O líder pediu as fontes que embasaram a matéria (veja abaixo) e não ficou contente, passando a defender que a redução ocorreu porque o Executivo não poderia contar com emendas parlamentares nem com o PAC do governo federal – e sob a alegação falsa de que a reportagem tinha conhecimento destes números dentro do PL 215/2026 referente à LOA (Lei Orçamentária Anual), em tramitação na Câmara.


Mesmo após Josef garantir por duas vezes que tais números constavam do documento em questão, tudo não passou de uma mentira: não há nada no PL 215 e a estratégia foi a de jogar o corte para outros governos. 

O jornal tentou, por horas, no dia 6 e em conversa via chat, obter os esclarecimentos e dados alegados por Josef, que se recusou a prestar as informações e usou de uma espécie de ameaça dizendo que responderia à reportagem com uso do espaço institucional – se utilizando de um monólogo e sem direito a contrapontos por parte do jornal. 

E lá foi ele: exibindo um documento 'X' na TV Câmara nos padrões de cores da prefeitura – sem especificação de origem e comprovando os dados da reportagem – Josef mostrou que, do caixa do tesouro municipal, há previsão de saída com alta de +19,9% no comparativo entre 2026 e 2027, subindo de R$ 451 milhões (mi) para R$ 541 mi. 

Nos âmbitos estadual e federal, o que ficou de fora da LOA 2027 foram R$ 106,45 mi – e a prefeitura não poderia contar com tais recursos conforme determinação do TCESP (Tribunal de Contas paulista), como o próprio líder assumiu na Tribuna. O ponto aqui é que, se a previsão não foi incluída, não há formalização mínima junto aos demais entes.


Apresentação na Tribuna mostra os mesmo números para saúde municipal revelados pelo jornal; reportagem não teve acesso aos dados em tela porque não constam da LOA 2027

Fato é que a prefeitura é a ‘dona do orçamento’ e tem duas saídas para amenizar a limitação inédita imposta à Pasta de Saúde: cobrir os R$ 106 mi aguardados das outras esferas ou recompor os R$ 16 milhões de queda referente a 2026. A prova de que Hélio optou pelo estrangulamento do serviço essencial está em outro orçamento, o de Obras. Esta Pasta foi irrigada em +75,25%, representando uma engorda de R$ 441,40 milhões entre 2026 e 2027, deixando clara a opção da administração municipal por reduzir o caixa em questão já que poderia retirar míseros 3,71% de Obras para compensar a saúde municipal, entretanto, optou por não fazê-lo. 

A reportagem entrou em contato com todos os envolvidos nesta história absurda, mas ninguém se manifestou. Em tempo: o documento sem nome, cabeçalho ou identificação de Josef deve reaparecer durante a audiência pública sobre as peças orçamentárias agendada para o próximo dia 21.

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