Prefeito de Piracicaba corta mais de R$ 15 milhões da Saúde no orçamento de 2027; Pasta de Obras vai na mão contrária e cresce 75%, com uma engorda de R$ 332,18 mi

Ranque mostra áreas que mais perderam verbas de 2026 para 2027, da Saúde à Indústria
(Arte: O Diário Piracicabano)

Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)

O caixa da Saúde municipal de Piracicaba para 2027 sofreu um corte de R$ 16,40 milhões (mi) frente ao destinado neste ano, caindo de R$ 860,18 mi para R$ 843,78 mi. Os dados para o próximo período são da LOA (Lei Orçamentária Anual) 2027, enviada nesta semana pelo Executivo para passar pela aprovação do Legislativo. Na mão contrária, a Pasta de Obras cresceu 75,25%, de R$ 441,40 mi para R$ 773,59 mi, quase encostando no volume de recursos destinado à Saúde. Esse movimento é inédito em dois pontos: tanto quanto ao corte como à irrigação de recursos.

O SUS piracicabano vem sofrendo uma série de episódios erráticos nas últimas duas gestões. Luciano Almeida (PP) trouxe a OSS Mahatma Gandhi para administrar prontos-socorros, o que acabou em uma morte e na quebra do contrato com a terceirizada — posteriormente substituída por outra terceirização, a Cismetro.

Na era Hélio Zanatta (PSD), valem os destaques para o corte e a terceirização do Laboratório Municipal — decisão revista em agosto deste ano e desfeita — e o traque do Hospital Municipal. Também foi polêmico o corte de verbas para os hospitais particulares, entre eles a Santa Casa de Fornecedores de Cana.

Na sessão camarária desta quinta-feira, dia 1º, as alas da esquerda e da direita criticaram a gestão da Saúde em Piracicaba. Rai de Almeida (PT) informou que a cota de tomografias é de 30 exames e que, ao final de cada mês, não é possível acessar o serviço por escassez de exames.

Laércio Trevisan Jr. (PL) criticou a inexistência de tomógrafos nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), equipamento com custo estimado pelo parlamentar entre R$ 600 mil e R$ 3 milhões.

A falta de concursos e de contratações de médicos é outro ponto crucial na Pasta. No passado recente, os contracheques do alto escalão do Executivo e do Legislativo receberam aumentos consideráveis a fim de elevar o teto dos salários e atrair mais médicos, mas nada mudou até agora.

Para o alto e avante
O orçamento geral estimado no Projeto de Lei 215/2026 pela Prefeitura de Piracicaba para 2027 furou o teto de R$ 4 bilhões (bi), e a previsão é de R$ 4,13 bi, uma alta de 14,40% — porcentagem bem acima da inflação estimada de 4,99% ao ano, conforme o IPCA 2026. O valor fechado para 2026 na LOA foi de R$ 3,61 bi, e a diferença entre os anos representa uma engorda do orçamento de R$ 511,18 milhões.

“A Administração Municipal reafirma seu compromisso inarredável com a busca contínua pela austeridade na gestão dos recursos públicos, visando assegurar o equilíbrio financeiro e orçamentário das contas do Município. Ressalta-se que, conforme preceitos constitucionais e legais, é função precípua da administração pública mobilizar os recursos financeiros, humanos e materiais de forma eficiente e eficaz, a fim de atender às finalidades públicas e garantir o interesse coletivo”, diz trecho do projeto, parte integrante de um texto assinado pelo prefeito “Helinho”, sob o título “Austeridade e Compromissos”.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura e todas as Pastas, mas não recebeu qualquer manifestação. O espaço do jornal segue aberto no site. Veja outros números e o vaievém das cifras na tabela abaixo.

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