Intervenção nas Eleições: Igreja Alternativa de Rodolfo Capler fura bolha das redes sociais ao discutir política e religião e, após ban, Instagram reativa a conta e assume erro; veja vídeo viral


Em trecho de sermão, o teólogo e pastor abordou a lealdade política entre evangélicos e defesa da ditadura militar entre cristãos
(Foto: divulgação)

Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)
Atualizada às 15h54 | 26/09/2026

A empresa estadunidense Meta, responsável pelo Instagram, reativou o perfil da Igreja Alternativa nesta sexta, dia 25, após dois dias de derrubá-la. Na linha semelhante ao ocorrido também nesta semana com o Revelando, apresentado pelo humorista Fábio Porchat, a rede social assumiu ter errado e lamentou a suspensão da conta.

"Agradecemos o envio de sua solicitação de análise. Analisamos sua conta e constatamos que a atividade nela segue nossos Padrões da Comunidade sobre integridade da conta. Portanto, você pode usar o Instagram novamente. Lamentamos o erro e o fato de você não ter conseguido usar o Instagram por um tempo. Às vezes, precisamos tomar medidas para manter nossa comunidade segura", disse a Meta por meio de mensagem (vide abaixo). 



O que aconteceu?

A intervenção das big techs dos Estados Unidos nas Eleições 2026 chegou em Piracicaba com a derrubada do perfil da Igreja Alternativa no Instagram na noite desta terça para quarta-feira, dias 22 e 23. Após a postagem de um trecho do sermão do pastor Rodolfo Capler, apresentado dentro da série ‘O Cristão e a Política’, a Meta de Mark Zuckerberg deletou a conta por suposta violação dos Padrões da Comunidade, especificamente à categoria de “integridade da conta”.

Conforme nota oficial da instituição evangélica, “a mensagem apresentada pelo Instagram não especificava qual publicação, comportamento ou conteúdo teria motivado a decisão”. “A plataforma também informou que não seria possível solicitar uma nova análise da decisão.” 

Segundo Capler, a desativação ocorreu após uma onda de denúncias contra o perfil e ele suspeita que grupos ligados ao bolsonarismo possam ter realizado denúncias coordenadas em razão do conteúdo publicado. Essa relação, entretanto, não foi confirmada publicamente pelo Instagram, e a igreja não recebeu da plataforma uma explicação que estabeleça essa conexão. 

Em sua fala, Capler, que também é jornalista, escritor e teólogo, destacava o ano 2018, quando “boa parcela das igrejas evangélicas fechou com um líder”, se referindo a Jair Bolsonaro (PL). 

“Eu não estou falando contra os eleitores de Bolsonaro e contra a liberdade que todos têm para votar. Boa parte dos evangélicos no Brasil, boa parte dos pastores no Brasil, se tornaram absolutamente leais ao Bolsonaro. Absolutamente leais a uma figura política. Diziam que Deus havia levantado ele [Bolsonaro] para a nação. Isso é uma abominação. Isso é antievangelho. Isso é uma afronta à mensagem pura do evangelho. As nossas convicções políticas começam a exigir de nós uma lealdade que somente Cristo pode exigir. Temos visto evangélicos defendendo ditadura militar. Você pode ser de direita conservador, liberal, progressista, marxista, não é essa questão. Não dá para evangélico cristão defender ditadura militar”, argumentava o pastor (veja vídeo na íntegra abaixo). 

Esta postagem com o sermão teve o efeito de furar a bolha do público habitual e, em aproximadamente 48 horas, o vídeo alcançou mais de 70 mil pessoas, recebeu mais de 3.000 compartilhamentos, centenas de reposts, milhares de curtidas e gerou mais de 1.000 novos seguidores para o perfil, além de milhares de comentários. 

A reportagem questionou a empresa Meta, que não prestou quaisquer esclarecimentos. A nova conta da igreja foi revertida para um perfil reserva. 

Em tempo: o Brasil é um Estado laico por sua legislação maior, a Constituição Federal de 1988, e o uso da religião como palanque político é altamente criticável.

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