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Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)
O município de Piracicaba está enquadrado no pior nível para graus de riscos quanto à saúde, biodiversidade e recursos hídricos, três campos ligados à natureza. A avaliação da situação local consta no Painel Cidades da plataforma Adapta Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A situação quanto ao meio ambiente e riscos climáticos é crítica e está sob acompanhamento do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente), órgão do Ministério Público (MP). A última movimentação deste robusto acompanhamento administrativo – instaurado pelo promotor Ivan Castanheiro Carneiro em dezembro de 2025 – foi o ofício ao TCESP (Tribunal de Contas paulista), no último 28 de setembro, para auditoria in loco a fim de checar a falta de ação do governo municipal.
Adapta Brasil
A classificação por aqui é de alto risco para arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e leishmaniose (visceral e tegumentar americana) no campo da saúde. O mesmo alerta vermelho vale para a integridade do nosso bioma, a Mata Atlântica, e ao risco de estresse hídrico.
Neste último ponto, Piracicaba levou a nota geral 0,61, considerada nível Alto para uma escala de zero a um. Dos três índices que compõem este fator, a mais grave foi medida em ‘Exposição’, com nota 0,78. Este índice, por definição da plataforma do Ministério, “é resultante da composição dos indicadores temáticos: população exposta [à falta d’água] e os usuários dos recursos hídricos expostos”.
“Grau, duração e/ou extensão em que o sistema socioecológico está sujeito à ameaça climática relacionada à escassez hídrica, considerando a distribuição dos elementos de superfície local (como a população e os usuários dos recursos hídricos). A exposição a uma ameaça particular pode ser determinada independentemente da vulnerabilidade”, detalha a plataforma sobre ‘Exposição’.
O índice de ‘Vulnerabilidade’ também não vai bem, com nota 0,54, classificação de risco médio (amarelo). Este se refere ao “Grau de suscetibilidade a danos, com potencial para mudança ou transformação do sistema socioecológico, quando confrontado com uma ameaça”.
“A vulnerabilidade está associada às situações de sensibilidade e capacidade adaptativa do sistema socioecológico às alterações climáticas, como o déficit de precipitação que provoca escassez hídrica no sistema hidrológico, afetando a disponibilidade e a oferta hídrica. Assim, o Índice de Vulnerabilidade é resultante da composição dos índices de Sensibilidade e Capacidade Adaptativa.”
Também tem alerta amarelo para desastres geo-hidrológicos (deslizamento de terra); segurança energética (acesso); e segurança alimentar (acesso e consumo de alimentos). Visite a plataforma aqui.
AÇÕES DA PREFEITURA
Os mais recentes movimentos da gestão Hélio Zanatta (PSD) – que levou as piores notas no Painel do Clima do TCESP – foram a aprovação do atrasado Plano Municipal de Mudanças Climáticas (PMMC), que passou pelo Legislativo no último dia 17, e o Plano de Contingência para os Períodos de Estiagem e Chuvoso (Decreto Municipal 21.132/2026).
Quanto ao PMMC, não há notícias, por ora, de que algo tenha mudado na estrutura governamental. Já quanto ao Plano de Contingência, o Executivo defendeu em audiência pública sobre o tema, realizada no último 15 de setembro, ações para: monitoramento e respostas em 56 pontos críticos (alagamento e deslizamento); monitoramento e respostas para focos de queimadas; e articulação da Defesa Civil e outras secretarias em caso de eventos climáticos extremos (zeladoria, assistência social e atendimento emergencial).
Quanto ao revelado pela Adapta Brasil, a reportagem questionou ‘Helinho’ sobre quais ações está desenvolvendo para baixar os índices diagnosticados como alarmantes, mas nenhuma informação foi prestada pela Prefeitura de Piracicaba.
GAEMA ACOMPANHA
O promotor Ivan Castanheiro deu prazo de 15 dias, com vencimento no próximo dia 13, ao TCE paulista para que informe se virá até Piracicaba para checar “as poucas respostas positivas apresentadas pelo município”, como gestão de resíduos (lixo) e efetividade da Defesa Civil – com corte pela metade de seu orçamento.
Castanheiro também quer a verificação técnica das contas municipais, extinção de receitas ambientais (IPTU Verde) e leis orçamentárias sem transparência pública com gasto público climático. Ele também questiona ao Tribunal a falta de atualização nos últimos cinco anos para mapeamento do município quanto aos riscos climáticos. Todo este acompanhamento conjunto, Gaema e TCE, é foco de uma cooperação técnica entre os órgãos pleiteada pelo promotor. O MP também acompanha o desenrolar do PMMC.
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