El Niño x Piracicaba: Hélio Zanatta (PSD) corta pela metade orçamento da Defesa Civil e Executivo ignora pedido de informações do Legislativo sobre enfretamento ao fenômeno em Piracicaba; metade dos pontos de ônibus não tem abrigo a passageiros e falta climatização nos veículos

À esquerda, o prefeito 'Helinho' (foto/reprodução: EPTV/Eleições 2024); ilustrações mostram impactos do fenômeno El Niño na América do Sul, conforme Primeiro Relatório Bienal de Transparência (BTR1)/Cptec/Inpe (leia mais aqui)

O orçamento da Defesa Civil de Piracicaba foi cortado pela metade entre 2025 e 2026 mesmo com a crise climática batendo à porta e o fenômeno El Niño em vigor – com previsão de atingir seu pico a partir do próximo mês, em setembro. Conforme o detalhamento das peças orçamentárias (LOAs) de 2025 e 2026, a Defesa Civil dispunha de R$ 150 mil, valor que despencou para R$ 76,70 mil neste ano. Para piorar, a gestão Hélio Zanatta (PSD) ignorou perguntas do Legislativo ao Executivo quanto às ações de prevenção e redução de riscos em setores públicos e sobre o orçamento. Veja as questões sem respostas do requerimento 677/2026, de autoria das vereadoras Silvia Morales (PV/Mandato Coletivo) e Rai de Almeida (PT), da número 20 a 23:

   20. Qual é o orçamento previsto, no exercício de 2026, para cobrir as despesas com as medidas preventivas e de resposta aos impactos dos eventos extremos potencializados pelo El Niño e às ondas de calor, e para atender à população afetada? Solicita-se o detalhamento por secretaria, programa e ação orçamentária.

   21. Há previsão de suplementação orçamentária ou abertura de créditos extraordinários para reforço dessas ações? Em caso afirmativo, qual o valor e a fonte de recursos?

   22. Quanto foi efetivamente executado, nos exercícios de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025, em ações de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos (ondas de calor, estiagens, secas, alagamentos e inundações), por secretaria e programa?

   23. Há recursos previstos para campanhas de comunicação e educação da população sobre os riscos das ondas de calor e medidas de autoproteção, conforme recomendações do Ministério da Saúde?

Só há alguma leve menção na tentativa de responder às questões, sob a assinatura do secretário municipal de Obra, Luciano Celêncio. “A Prefeitura informa que monitora continuamente os impactos decorrentes do fenômeno El Niño, em articulação com as secretarias responsáveis e as empresas contratadas pela execução dos serviços, adotando as providências administrativas cabíveis para minimizar seus efeitos.” A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Piracicaba, mas não recebeu qualquer retorno até o fechamento desta edição. Caso haja algum posicionamento, a matéria será atualizada no portal de notícias do jornal.

TRANSPORTE PÚBLICO

No mesmo requerimento, o transporte coletivo em Piracicaba tem dois problemas: falta de abrigo (ponto de ônibus) aos passageiros e a temperatura interna dos veículos, com baixo porcentagem de climatização. Veja, na sequência, as respostas fornecidas ao Legislativo pelo secretário municipal de Segurança Pública, Trânsito e Transportes, Odair Luiz de Melo.

Sobre os abrigos:

    O Município de Piracicaba conta atualmente com aproximadamente 2.500 pontos de embarque e desembarque vinculados ao sistema de transporte coletivo urbano. Desse total, cerca de 1.300 pontos possuem abrigo instalado, com estrutura destinada à proteção dos usuários contra exposição direta ao sol e à chuva, proporcionando melhores condições de conforto, segurança e permanência durante a espera pelo transporte coletivo.

    Ressalta-se que a instalação de abrigos observa critérios técnicos e operacionais, tais como volume de passageiros, localização do ponto, largura e condição do passeio público, interferências urbanas, segurança viária, acessibilidade e viabilidade física de implantação da estrutura.

Sobre climatização e fiscalização da temperatura interna dos veículos do transporte coletivo:

    A frota total do transporte coletivo municipal é composta atualmente por 188 veículos. Desse total, 57 veículos possuem sistema de climatização por ar condicionado, o que corresponde a aproximadamente 30% da frota em operação. A ampliação da quantidade de veículos climatizados depende de critérios técnicos, operacionais, contratuais e de renovação gradual da frota.

    Nos veículos equipados com sistema de ar condicionado, o controle da climatização é realizado operacionalmente pelo motorista, que efetua os ajustes conforme as condições de temperatura externa, a lotação do veículo e a percepção das condições internas durante a operação.

    A orientação operacional é que o sistema seja utilizado de modo a proporcionar conforto térmico adequado aos passageiros e trabalhadores do transporte coletivo, especialmente em períodos de temperaturas elevadas.

    Eventuais ocorrências relacionadas ao funcionamento inadequado da climatização, desconforto térmico ou falhas nos equipamentos podem ser comunicadas pelos usuários e pelas equipes operacionais, sendo encaminhadas para verificação e providências junto à operação e à manutenção da frota.

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