Vereança da base do prefeito ‘Helinho’ (PSD) barra audiência pública para debater o ‘Vende-se Piracicaba 2.0’


Seis vereadores foram o suficiente para impedir a realização de debate na Câmara sobre leilão de quase 50 imóveis de propriedade do município; sete deixaram de votar
(Imagem: fotos oficiais da Câmara/arte: O Diário Piracicabano)

Cristiane Bonin (MTb 31.139) | de Piracicaba (SP)

A Prefeitura de Piracicaba se fechou em copas e articulou com a vereança da base para não deixar acontecer uma audiência pública na Câmara de Vereadores sobre o leilão proposto por Hélio Zanatta (PSD) de 47 terrenos – o ‘Vende-se Piracicaba 2.0’ no Projeto de Lei 216/2026, de autoria do Executivo. 

A iniciativa, via requerimento 901/2026, de autoria da vereadora Rai de Almeida (PT), foi analisada e rejeitada por 6 a 5 na sessão camarária de quinta passada, dia 15. 

VOTOS

Votaram contra a participação popular e o debate Fábio Silva (REP), Gesiel Madureira (MDB), Gustavo Pompeo (AVA), Josef Borges (PP), Renan Paes (PL) e Zezinho Pereira (UB). 

Vale o destaque para sete vereadores presentes no plenário, mas que se recusaram a votar: Fabrício Polezi (PL), Felipe Gema (SD), Marco Bicheiro (PSDB), Pedro Kawai (PSDB), Rafael Boer (PRTB), Thiago Ribeiro (PRD) e Valdir Paraná (PSD). 

O número de registros para ‘não votou’, concentrado também na base do prefeito na Câmara, mostra que a venda de patrimônio público é indigesta até entre apoiadores de ‘Helinho’. 


JUSTIFICATIVAS

Durante o debate na sessão e após a votação, rolaram diferentes justificativas. Silvia Morales (PV/Mandato Coletivo) falou sobre a derrubada e sobre a impossibilidade de discussões na Casa de Leis. “Para não passar um requerimento de audiência tem que tapar tudo, ninguém pode saber o que está acontecendo”, disse Silvia na Tribuna. A vereadora visitou regiões que perderão seus espaços públicos e destacou a necessidade do Vem Viver, com alta densidade populacional e demandas por saúde a áreas de lazer. 

A autora do pedido, Rai, entrou no debate informando sobre uma audiência da prefeitura quanto ao tema, realizada sem participação popular, e o cerceamento do Executivo na fiscalização do Poder Público via Legislativo, reforçando o argumento de Silvia sobre as demandas da população por creches e espaços para cultura. 

Na outra ponta, o líder do governo na Câmara, Josef, defendeu os leilões porque o município “já [às] detém há muito tempo”, áreas que “não apresentam interesses públicos” e causam “custos de manutenção, encargos, entre outras [despesas]”. 

Andamentos

O PL 216 tramitou de forma acelerada, já tem parecer em conjunto favorável das comissões parlamentares e apenas Silvia e André Bandeira (PSDB) assinaram posição contrária ao PL 216, com potencial de ir a cabo no plenário ainda nesta semana. 

O episódio ‘Vende-se Piracicaba 2.0’ se somará a um episódio anterior, o PL 202/2026, aprovado no fim de setembro pela Câmara para 55 imóveis do patrimônio municipal.

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