Artigo da jornalista Beatriz Vicentini pinta no horizonte o fim derradeiro da Unimep enquanto Drogal se instala no Taquaral


Texto aborda as sucessivas quedas dos reitores da Unimep, o último foi Ismael Valentin na última semana de julho
(Foto: divulgação)

No contexto da instalação da Drogal no Parque Taquaral, finado campus universitário, a jornalista Beatriz Vicentini, ex-funcionária da Unimep, publicou em 1º de agosto a triste realidade daquela que foi uma referência acadêmica no interior paulista. 

“Na última quarta-feira, o atual reitor da Unimep, Ismael Valentin, à frente da Universidade desde 2020, foi demitido também - assim como outros gestores da área geral da educação da Igreja Metodista. Ainda não se sabe quem irá substituí-lo - ou se isso acontecerá. Nem o que as mudanças que tantas demissões que foram acontecendo na sequência, de uma só vez, significarão.  A esta altura nem parecerá impertinente perguntar quem ousará assumir o cargo, em plena crise das escolas com seus credores e uma dívida impagável, conhecendo-se esta longa história da prática demissional adotada pela Igreja Metodista desde sempre. Ou quanto tempo, seja quem for, durará no cargo, antes que a Igreja também o demita.  Pode ser efetivamente o ‘fim’ efetivo da Unimep?”, questiona Vicentini. Leia artigo completo abaixo.

UNIMEP E A PRÁTICA DA IGREJA DEMITIR REITORES DESDESEMPRE E MAIS UMA VEZ

Por Beatriz Vicentini

(01/08/2026)

Uma instituição que faz demissões e descarte de seus gestores maiores de forma frequente, quase sistemática, é apenas muito exigente em suas expectativas, ou é muito ruim a ponto de achar que crises se resolvem bastando se demitir aqueles que ela mesma escolheu? Ou apenas introjetou certa tendência do mercado, de simplesmente se descartar recursos humanos quando julgar conveniente, sem qualquer tipo de reconhecimento ou preservação de direitos porque, afinal, trata-se de apenas de business? Ou se trata de uma instituição que simplesmente convive com crises contínuas de falta de confiança, de falta de políticas claras e uma permanente necessidade de concentrar o poder em mãos daqueles que se fazem ou se sentem os donos dela? Em sendo assim, e pelos estatutos nomeando reitores com mandatos com duração antecipadamente definida, mas não os respeitando, é possível a uma instituição de ensino sobreviver? 

Na década de 1970, Richard Senn, o primeiro reitor da Unimep – ainda em vias de ser criada –, admitiu (em entrevista dada a mim muitos anos depois), que a Igreja Metodista o usara, chamando-o apenas para assumir a orientação acadêmica da instituição que se formava mas que, ao final, o haviam transformado na figura a justificar a demissão do diretor até então, Chrysantho César. Apenas três anos após a criação da Unimep, foi a vez da demissão do próprio Richard Senn, em meio a uma crise envolvendo professores e estudantes contra sua permanência.

Passados outros seis anos, mais uma vez vem a Igreja Metodista tentando demitir o então reitor Elias Boaventura e seu vice, por conta de uma administração acusada de ser um desastre administrativo e financeiro, mas cujas motivações para a mudança de poder eram claramente ideológicas. O caso foi parar na Justiça, e, desta vez, a Igreja não conseguiu fazer a demissão como desejava.

Boaventura cumpriu seu mandato integralmente depois da comunidade universitária ocupar os campi da Universidade por quase um mês, ameaçada inclusive de uso da força policial para desocupá-los.  Em 2006, embora não tenha se tratado de uma demissão formal – mas com requintes deste tipo de iniciativa pelo afastamento definitivo que envolvia - quem foi empurrado para longe da Unimep foi o ex-reitor Almir Maia, que ali tivera quatro mandatos seguidos. 

A ideia era que a Universidade teria que mudar para se reequilibrar e para isso o novo reitor nomeado tentou fazer a demissão, num único dia, de 153 professores, dos mais titulados e antigos da instituição. A Justiça do Trabalho exigiu a reintegração de todos. O novo reitor se demitiu antes de cumprir integralmente seu mandato. 

Em 2017, Márcio Moraes, um dos vários reitores com rápidas passagens pela Universidade pós 2006, foi demitido depois de colocar-se ao lado da comunidade interna, que denunciava os novos processos informatizados que afetavam as matrículas e os registros de controle acadêmico – da avaliação até presença. O controle passaria a ser feito de São Bernardo do Campo, pela Umespe pela direção da Rede Metodista de Educação. A Igreja Metodista manteve sua demissão apesar de ampla mobilização da cidade, inclusive com encontros especiais na Câmara dos Vereadores pedindo a permanência de Márcio.  

Na última quarta-feira, o atual reitor da Unimep, Ismael Valentin, à frente da Universidade desde 2020, foi demitido também -assim como outros gestores da área geral da educação da Igreja Metodista. Ainda não se sabe quem irá substituí-lo - ou se isso acontecerá. Nem o que as mudanças que tantas demissões que foram acontecendo na sequência, de uma só vez, significarão.  

A esta altura nem parecerá impertinente perguntar quem ousará assumir o cargo, em plena crise das escolas com seus credores e uma dívida impagável, conhecendo-se esta longa história da prática demissional adotada pela Igreja Metodista desde sempre. Ou quanto tempo, seja quem for, durará no cargo antes que a Igreja também o demita.  Pode ser efetivamente o "fim" efetivo da Unimep?

Das primeiras reações à informação da demissão, sugiro a leitura da crônica – triste – de Alê Bragion no Diário do Engenho.

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