Compra da prefeitura não tem licitação e nem prazo de entrega; também não há informações sobre o local de instalação da obra
(Ilustração: Gemini IA)
A Prefeitura de Piracicaba contratou e já pagou R$ 35 mil por uma escultura de capivara. Estas etapas constam no Diários Oficiais do Município (DOM) dos dias 6 e 13 de julho. Há poucas informações públicas sobre a compra, faltando, por exemplo, o local de instalação da obra e transparência no sistema Sem Papel do governo quanto ao Parecer Jurídico nº 700/2026, ato autorizativo da contratação – o aviso no Solar BPM é de “indisponível devido às restrições de acesso”. Agora indo para o publicado no DOM, a prefeitura usou a Secretaria Municipal de Cultura de Carlos Beltrame para comprar “uma escultura de capivara de quatro metros de altura” no “estilo hiper-realista feita em fibra de vidro revestida com tecido acrílico alto” (vide imagens abaixo).
O artista responsável é Lázaro de Oliveira Junior, conhecido por Lajur – a reportagem tentou contato com ele, mas não teve retorno. A compra da Pasta não teve pregão e ocorreu via inexigibilidade de licitação com base no parecer jurídico citado e no Artigo 74, inciso II, da Lei Nacional nº 14.133/21. Este fundamento legal autoriza a contratação de profissional do setor artístico, de forma direta ou por meio de empresário exclusivo, desde que ele seja consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.
Lajur é um renomado artista plástico, escultor e cenógrafo com mais de 40 anos de carreira, radicado na região de São Pedro e Águas de São Pedro. Ele é famoso por suas obras públicas, esculturas em diversos materiais, cenografias e projetos em perspectiva. Entre suas obras de destaque está uma pintura em perspectiva nos 88 degraus do Escadão de Águas de São Pedro, localizado na região central do município, com figuras da fauna e flora locais.
Entretanto, pode haver uma falha na escolha do material da capivara: o tecido náutico é mais recomendável por sua durabilidade, caso a escultura fique exposta à intempérie do tempo, como chuva e sol.
A cidade de São José do Rio Preto já tem uma escultura semelhante, e gera uma reflexão por aqui: a vereança de lá anda cobrando o Executivo rio-pretense sobre os gastos que chegaram à cifra de R$ 64 mil para manutenção.
A reportagem questionou a prefeitura de Hélio Zanatta (PSD) sobre a compra bem como custos após a implantação da obra, mas não teve qualquer resposta. Enquanto isso, a manutenção de pontos importantes do turismo piracicabano, como o Parque do Mirante, está estagnado desde dezembro de 2025, após um temporal.
Em tempo: numa entrevista nesta semana, ‘Helinho’ disse sobre o Mirante que vai reformar e cercar o parque com dinheiro do contribuinte para novamente oferecê-lo ao privado. Como dizem: pacabá!
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