O saneamento básico foi tema central dos posicionamentos da vereança na sessão desta segunda, dia 10
(Fotos: oficiais da Câmara de Vereadores/ilustração: IA Gemini)
O tempo esquentou na sessão da Câmara de Vereadores neste início de semana, com quase tudo saindo da boca da base governista. Primeiro foi Zezinho Pereira (UB). Em sua crítica à PPP do Esgoto chamou Laércio Trevisan, da oposição, para a conversa e cravou sobre a falta de tratamento, com um índice de 70% frente aos ventilados 100%.
Também da oposição e na sequência veio a fala de Silvia Morales (PV/Mandato Coletivo). Ela teve seu requerimento 704/2026 aprovado naquela noite, documento que pede explicações sobre lançamento de esgoto in natura no ribeirão Piracicamirim. Silvia fez representação ao Ministério Público sobre a situação e arrematou também criticando o contrato com a Mirante. “Não tem cabimento o aditivo e o serviço não melhora”, sobre a PPP.
Mas a maior pedrada veio de Gustavo Pompeo (AVA), uma espécie de vice do líder Josef Borges (PP). Seguindo o viés de crítica ao contrato em discussão, o vereador relatou que, pela segunda vez, recorre ao Ministério Público pela poluição despejada no Corumbataí na região do bairro Mario Dedini, apontando recorrência da Mirante na falta de tratamento do esgoto – ele também bateu na impossibilidade do índice em 100% de tratamento do esgoto, classificando o número por falácia.
“(...) visitando de novo este local (ao fim da rua Nadir Eraldo Stela, em área de pastagem), observamos que ainda continua sendo despejado no rio Corumbataí esse esgoto. Nós fizemos uma denúncia e representamos novamente ao MP). Porque fere a lei do contribuinte, já que se paga para tratar, mas fere principalmente a questão ambiental e da saúde de Piracicaba uma vez que aquele esgoto bruto está sendo despejado no Corumbataí. Eu reforço a importância que é o rio Corumbataí para a saúde do piracicabano e, principalmente, para a água tratada de qualidade. Não é justo um rio tão importante quanto esse ter esgoto sendo despejado, a cada 50 metros, e esse [ponto] é um deles, que fica no Mario Dedini”, disse Pompeo.
Outro lado
O Semae e a Mirante foram questionadas sobre o índice de tratamento de esgoto assim como os lançamentos brutos, mas o Poder Público não prestou nenhum esclarecimento à reportagem até o fechamento desta edição.
Já a empresa diz que segue as regras do jogo. “A Mirante cumpre rigorosamente o contrato de concessão e trata 100% do esgoto coletado nas áreas regulares sob sua responsabilidade. O processo atende aos padrões legais e técnicos, com monitoramento constante para garantir a eficiência do sistema.”
Em tempo (ou um resumo possível da ópera). Primeiro que é fato a queda de braço entre governo municipal e iniciativa privada quanto ao esgoto de Piracicaba. O atual prefeito, quando candidato, prometeu baixar a tarifa na conta de água do Semae, mas, quase ao fim do segundo ano de sua gestão, nada conseguiu – agora há a promessa de distribuição de caixa d’água à população carente, ventilada nesta segunda pelo líder Josef Borges. Como já dito anteriormente, o levante da vereança governista pode ser uma força de poder nesta citada queda de braço – e Barjas parece estar no meio do fogo cruzado, sem cargo, mas no mesmo partido de Hélio Zanatta. Com o cenário da política nacional em latência por eleições, a política municipal parece se movimentar utilizando dessa cortina de fumaça para poder aprovar e passar aquele tratoraço de sempre. E, caso Hélio consiga aprovação no Congeppp (Conselho Gestor de Parcerias Público-privadas do Município de Piracicaba) dentro dos moldes atuais, o prefeito deve enfrentar de uma nulidade contratual, passando por averiguações do TCE-SP (Tribunal de Contas estadual), potencial responsabilização judicial quanto improbidade administrativa com ressarcimento dos cofres municipais até prejuízos gerais ao município com insegurança jurídica, gerando dificuldades para financiamento com bancos públicos, como o BNDES – e este último fato pode prejudicar muito a cidade em tempos de tarifaço de Donald Trump.
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