Raio-X do esgoto: ex-prefeito Barjas (PSD) concede entrevista exclusiva sobre o contrato com Aegea/Mirante

Barjas disse que foi à Câmara falar sobre seus livros; Aegea/Mirante não fala em entregar depoimentos de executivos sobre propinoduto do esgoto
(Foto: divulgação/ilustração: IA Gemini)

Tradicionalmente iniciadas às 19h, o ex-prefeito brotou na galeria do plenário da Câmara por volta das 21h. Não falou nada e só foi notado – e filmado – porque Silvia Morales e Gustavo Pompeo o cumprimentaram da tribuna. Pela TV Câmara foi possível conferir nesta segunda a primeira presença do presidente da Câmara, o pastor Rerlison Rezende (PSDB), no pós-recesso de julho na condução da Mesa Diretora, mas antes mesmo do primeiro expediente, ele sumiu – este bastidor é importante para entender o contexto de questão correlata abaixo. Confira perguntas contundentes da reportagem e respostas de Barjas Negri sobre o contrato do esgoto com a Mirante, firmado em sua gestão.

    O Diário Piracicabano: Como avalia o aditivo proposto atualmente à luz da Lei Federal nº 11.079/2004 que restringe 30 anos para período máximo de uma PPP que, em Piracicaba, passará a contar com mais de 40 anos e sem tramitar pela Câmara de Vereadores?

Barjas: não estamos acompanhando qualquer contrato da prefeitura há mais de cinco anos, desde que deixamos a prefeitura a partir de 31 de dezembro de 2020.

    Como avalia a evolução do tratamento do esgoto em Piracicaba frente às constatações de lançamento de esgoto in natura no córrego Piracicamirim e no rio Corumbataí que, segundo vereadores, ocorrem de forma frequente?

Barjas: tanto o Semae quanto a prefeitura têm departamentos técnicos que, há muito, acompanham essas questões.

    Como avalia uma proposta, no aditivo, de investimentos na ordem de R$ 128 milhões frente ao caixa 2026 da Prefeitura de Piracicaba em R$ 3,6 bilhões?

Barjas: toda questão técnica, de valores, prazos, aditamentos, investimento e reajustes são analisados e recomendados pela Agência Ares PCJ.

    O senhor esteve na última sessão camarária, nesta segunda, dia 10. Esteve reunido com o presidente da Câmara, pastor Relinho? Foi tratar de algum assunto de interesse público? Há quanto tempo não ia presencialmente até a uma sessão?

Barjas: minhas recentes visitas à Câmara sempre foram para manter conversar com alguns vereadores e para obter informações para a elaboração de dois livros sobre ‘Ruas de Piracicaba e suas Curiosidades’.

    Na sessão camarária do último dia 6, o Legislativo aprovou o requerimento 740/2026 e quer acesso à delação premiada de executivos da Aegea ao STJ sobre pagamento de propina pela empresa em Piracicaba, conforme consta em reportagem publicada pelo site de notícias UOL. Gostaria de se manifestar sobre o assunto?

Barjas: a Câmara Municipal tem autonomia para aprovar requerimentos e solicitar informações do seu interesse.

Nesta última pergunta sobre o propinoduto da Aegea/Mirante, o ex-prefeito reiterou nota enviada ao jornal quando a pauta foi publicada por aqui, em fevereiro de 2026. Em resumo, ele argumentou, no início deste ano, que “o processo de licitação, nos anos de 2011 e 2012, seguiu todas as normas legais na Lei de Licitações (nº 8.666/1993), incluindo audiências públicas, acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP)” e que “não há possibilidade de qualquer ato ilícito durante o processo de licitação, de contratação (2012) e sua posterior execução”.

Já a empresa disse que, “sobre as questões de integridade, a Aegea informou, em Fato Relevante publicado em fevereiro de 2026, que o Termo de Acordo celebrado em 2021 encerrou definitivamente os temas nele tratados e não produz efeitos sobre a companhia e suas concessionárias”. Entretanto, não foi respondido se abrirá os documentos conforme pedido no requerimento.


Ex-prefeito acompanhou finalzinho da sessão camarária desta segunda, dia 10, mas não fez qualquer manifestação enquanto a vereança criticava a PPP do Esgoto
(Foto/reprodução: TV Câmara)

Em tempo (ou um resumo possível da ópera). Primeiro que é fato a queda de braço entre governo municipal e iniciativa privada quanto ao esgoto de Piracicaba. O atual prefeito, quando candidato, prometeu baixar a tarifa na conta de água do Semae, mas, quase ao fim do segundo ano de sua gestão, nada conseguiu – agora há a promessa de distribuição de caixa d’água à população carente, ventilada nesta segunda pelo líder Josef Borges. Como já dito anteriormente, o levante da vereança governista pode ser uma força de poder nesta citada queda de braço – e Barjas parece estar no meio do fogo cruzado, sem cargo, mas no mesmo partido de Hélio Zanatta. Com o cenário da política nacional em latência por eleições, a política municipal parece se movimentar utilizando dessa cortina de fumaça para poder aprovar e passar aquele tratoraço de sempre. E, caso Hélio consiga aprovação no Congeppp (Conselho Gestor de Parcerias Público-privadas do Município de Piracicaba) dentro dos moldes atuais, o prefeito deve enfrentar de uma nulidade contratual, passando por averiguações do TCE-SP (Tribunal de Contas estadual), potencial responsabilização judicial quanto improbidade administrativa com ressarcimento dos cofres municipais até prejuízos gerais ao município com insegurança jurídica, gerando dificuldades para financiamento com bancos públicos, como o BNDES – e este último fato pode prejudicar muito a cidade em tempos de tarifaço de Donald Trump.

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